sábado, 8 de agosto de 2026

LINE 6 PODxt LIVE: COMO CONFIGUREI UM TIMBRE DO SLASH (APPETITE FOR DESTRUCTION)

Quem acompanha esse blog desde a pré-história da internet talvez lembre que eu sempre fui meio obcecado pelo timbre do Slash. :)

Já escrevi aqui sobre o equipamento dele, já coloquei captadores Seymour Duncan Alnico II Pro Slash Signature na minha Epiphone Les Paul e, lá em 2012, cheguei até a publicar um teste de gravação de Nightrain usando justamente a minha velha Line 6 PODxt Live ligada diretamente ao computador.

Pois bem. Mais de uma década depois, resolvi tirar a PODxt Live do armário e fazer uma coisa que, curiosamente, nunca tinha feito com muito método: configurar do zero um preset tentando chegar o mais perto possível do timbre do Slash na época do Appetite for Destruction.

E dessa vez fui mexer em TUDO.

Amplificador, caixa, equalização, gate, delay, reverb, wah-wah, posição dos efeitos na cadeia, configuração de saída da POD, pedal de volume etc.

Depois de pesquisar bastante e fazer os ajustes, cheguei à configuração abaixo.

Antes de qualquer coisa, uma ressalva importante: não existe uma configuração universal da PODxt Live que vá produzir exatamente o mesmo som em qualquer equipamento. A guitarra, os captadores, o amplificador onde a pedaleira é ligada, o falante e até o volume em que se toca alteram bastante o resultado.

No meu caso, estou usando a PODxt Live ligada no INPUT frontal de um Marshall MG15CD, um pequeno combo transistorizado de 15 W. Portanto, algumas das configurações abaixo — principalmente o Output Mode — foram feitas especificamente pensando nesse equipamento.

Quem ligar a POD diretamente numa mesa, interface, monitor FRFR, fone de ouvido ou no power amp de outro amplificador deverá fazer alguns ajustes diferentes.

pedaleira line6 PODxt Live e amp Marshall MG15
Foto do meu setup

O ponto de partida: o Marshall do Slash

A primeira coisa importante é entender que o som do Slash não vem de uma quantidade absurda de distorção.

Principalmente no Appetite for Destruction, o que ouvimos é basicamente aquela combinação clássica:

Les Paul + humbuckers + Marshall saturado + caixa 4x12.

O amplificador usado nas gravações do Appetite tem uma história meio lendária — o famoso Marshall alugado da SIR e modificado — e não corresponde simplesmente a um JCM800 comum. Anos depois, a própria Marshall chegou a desenvolver com Slash o AFD100 tentando recriar aquele comportamento. Dentro dos modelos disponíveis na PODxt Live, entretanto, achei que o melhor ponto de partida é o Brit J-800, baseado num Marshall JCM800.

E um detalhe importante: não coloquei o ganho no máximo.

Minha configuração ficou:

AMP MODEL: BRIT J-800

  • Drive: 70%
  • Bass: 40%
  • Middle: 80%
  • Treble: 58%
  • Presence: 52%
  • Channel Volume: 75%

O Middle em 80% não é erro de digitação. :)

O som do Slash tem MUITO médio. Não é aquela equalização moderna de metal com grave e agudo enormes e o médio cavado. É justamente o médio que ajuda a guitarra dele a ter aquela sonoridade meio “vocal”, que aparece na frente da banda.

Também deixei o Bass relativamente baixo porque Les Paul já tem bastante corpo e, no meu caso, ainda estou jogando tudo isso no pequeno falante do Marshall MG15CD. Exagerar nos graves simplesmente deixa o som embolado.

Caixa: 4x12 Green 25's

Na página A.I.R. da POD:

CAB: 19 — 4x12 GREEN 25's

Essa é a simulação da Line 6 de uma Marshall 4x12 antiga com Greenbacks de 25 W, uma combinação que casa muito bem com esse tipo de timbre.

Aqui apareceu uma peculiaridade importante da minha instalação.

Como a POD está ligada no input frontal de um amplificador de guitarra, configurei o Output Mode como:

COMBO FRONT

Por causa disso, a própria POD mostra:

MIC: OFF (COMBO FRONT)

E é assim mesmo.

Se eu estivesse usando a POD diretamente numa mesa, interface, fones ou monitores, provavelmente usaria Studio/Direct e experimentaria uma simulação de microfone, como o 57 Off Axis.

Mas não é o meu caso.

Essa é uma das configurações que não devem simplesmente ser copiadas por todo mundo.

O Marshall MG15CD

No amplificador físico, a ideia foi fazer exatamente o contrário do que talvez parecesse intuitivo: não usar a distorção dele.

A distorção principal já está sendo criada pelo Brit J-800 da POD.

Portanto:

OD SELECT: OFF — canal CLEAN

No MG15CD comecei com:

  • Clean Volume: conforme necessário
  • Bass: 5
  • Contour: 5
  • Treble: 5
  • FDD: inicialmente OFF

Gain e Volume do canal Overdrive não interferem porque o canal está desligado.

A ideia é deixar o MG15 relativamente neutro e permitir que a POD faça a maior parte do trabalho.

Usar o overdrive do MG15 junto com o Brit J-800 significaria colocar uma distorção transistorizada depois da simulação do Marshall, o que não me pareceu uma boa ideia.

Compressor: desligado

Aqui veio uma conclusão interessante.

COMP: BYPASSED/OFF

O sustain do Slash não depende de um compressor ligado antes do amplificador. O próprio Marshall saturado já comprime bastante o sinal.

Colocar compressor poderia aumentar o sustain, mas também reduziria a dinâmica e aumentaria o ruído.

Portanto, no preset principal:

COMPRESSOR = OFF.

Noise Gate

O Gate ficou:

  • Threshold: -55 dB
  • Decay: 65%

A função dele aqui é somente eliminar o ruído quando não estou tocando.

O cuidado é não exagerar no Threshold, porque um Gate agressivo começa a matar justamente uma das coisas mais importantes para tocar Slash: o sustain dos bends e vibratos.

A regra prática é simples: se uma nota longa estiver desaparecendo abruptamente, o Gate está fechando cedo demais. Nesse caso, vale baixar o Threshold para -60 ou -65 dB.

Prefiro conviver com um pouquinho de hiss a assassinar uma nota no meio de um bend. :)

EQ adicional: desligado

A POD também possui um EQ adicional.

Deixei:

EQ = OFF

Já estou equalizando no Brit J-800, no modo Combo Front e ainda existe a equalização física do MG15CD.

Não vi motivo para colocar mais uma camada de EQ antes de acertar o resto.

STOMP: desligado — mas com uma opção interessante

No preset principal:

STOMP = OFF

Ou seja, não coloquei um Tube Screamer permanentemente na frente do Marshall.

Mas fiz um teste interessante com o Screamer, simulação da POD baseada no clássico Ibanez TS-808.

Para experimentar o J-800 sendo “empurrado” por um overdrive, a configuração que usei como ponto de partida foi:

SCREAMER

  • Drive: 5%
  • Level/Gain: 75%
  • Tone: 45%
  • posição: PRE AMP

Aqui o Tube Screamer não é a fonte principal da distorção. Com Drive praticamente zerado e Level alto, ele funciona principalmente como um boost, mandando um sinal mais forte para o J-800.

O resultado é mais sustain, mais médios e uma distorção um pouco mais apertada.

É legal? Sim.

É necessariamente mais parecido com Slash? Não.

Por isso o Screamer ficou como opção para experimentar, enquanto o preset principal continua com STOMP desligado.

Delay

Para bases:

DELAY = OFF

Para solos, configurei um Digital Delay:

  • Feedback: 18%
  • Mix: 16%
  • Bass: 45%
  • Treble: 40%
  • Position: POST AMP

A ideia é que o delay fique discreto. Não quero ouvir claramente “nota, eco, eco, eco”. Quero apenas aquela profundidade atrás da nota principal.

Também deixei as repetições um pouco mais escuras, reduzindo Bass e principalmente Treble.

E o detalhe mais importante:

DELAY = POST AMP

Assim, primeiro o Brit J-800 cria o timbre distorcido e depois o delay repete esse som.

Se colocarmos o delay em PRE, as próprias repetições entram no J-800 e são novamente distorcidas/comprimidas, podendo deixar tudo mais embolado.

Sobre o Time, existe uma particularidade da PODxt Live: ele pode trabalhar sincronizado ao Tap Tempo/divisão musical. Portanto, esse parâmetro merece ser ajustado conforme a música. Como referência para um delay de solo genérico no estilo Slash, algo na região de 320 ms funciona bem, mas não considero esse número uma regra universal.

Reverb

O Reverb ficou:

MODEL: SMALL ROOM

  • Decay: 45%
  • Mix: 9%
  • Tone: 47%
  • Pre-delay: 50%
  • Position: POST

Novamente, POST é importante.

Quero colocar uma pequena sala em volta do timbre já pronto, e não mandar uma guitarra cheia de reverberação para dentro do Marshall distorcido.

E 9% de Mix é propositalmente pouco.

O timbre do Slash pode parecer enorme, mas não é necessário afogar a guitarra em reverb para chegar lá.

Wah-wah: Jen Fassel

Essa talvez seja uma das partes mais divertidas. :)

Dentro dos modelos de Wah da PODxt Live escolhi:

WAH MODEL: JEN FASSEL

O Slash é historicamente associado aos Cry Baby da Dunlop, inclusive a modelos signature com circuito/indutor Fasel. Portanto, dentre os Wah disponíveis na POD, o Jen Fassel me pareceu uma excelente escolha para chegar naquela sonoridade vocal e agressiva dos solos dele.

A configuração fica:

WAH: JEN FASSEL

O parâmetro POSI não deve ser entendido como uma regulagem fixa.

Ele simplesmente mostra a posição instantânea do pedal:

  • 0% = calcanhar para baixo, som mais grave/fechado;
  • 100% = ponta para baixo, som mais agudo/aberto.

Portanto, obviamente, o POSI varia o tempo todo enquanto se toca.

Salvei o preset com:

WAH = OFF

e aciono o Wah quando necessário pelo próprio pedal/toe switch da POD.

Pedal de volume

O pedal de volume ficou:

  • Position: POST
  • Minimum: 0%

O POST faz bastante sentido nesse caso.

Quando diminuo o volume pelo pedal, quero diminuir o volume do som depois que o J-800 já produziu sua distorção. Assim, o caráter da saturação permanece.

Se o Volume estivesse em PRE, ao recuar o pedal eu também reduziria o sinal entrando no amplificador virtual, fazendo o J-800 progressivamente “limpar”.

Pode ser útil em outras situações, mas não era o que eu queria nesse preset.

O mínimo em 0% permite que o pedal feche completamente o volume.

Pedal 1 e controles

Na página de atribuições:

PEDAL 1: W/V

Ou seja, o pedal integrado trabalha como Wah/Volume, exatamente como eu queria.

O segundo pedal aparece configurado como Volume, mas isso só teria importância caso eu ligasse um pedal de expressão externo.

A POD também permite escolher o que o knob Effect Tweak controla. Isso não altera propriamente a estrutura do timbre; é apenas um atalho para alterar rapidamente determinado parâmetro.

Input: NORM ou PAD?

Na traseira da POD existe uma chavinha que pode passar despercebida:

NORM / PAD

No meu caso:

NORM

O PAD serve para atenuar um sinal de entrada excessivamente forte, como pode acontecer com determinados captadores ativos ou instrumentos com saída muito alta.

Com humbuckers passivos de Les Paul, a escolha normal é NORM.

Isso reproduz exatamente o som do Appetite for Destruction?

Não. :)

E acho importante deixar isso bem claro.

O timbre original envolve guitarra, captadores, um Marshall valvulado específico e modificado, caixas 4x12, Celestions, microfones, sala, pré-amplificadores de estúdio, gravação em fita, mixagem e, obviamente, as mãos do Slash.

No meu caso ainda existe uma limitação importante: estou pegando uma pedaleira digital já antiga, simulando um Marshall, e colocando o resultado no input de um Marshall MG15CD transistorizado de 15 W, com seu próprio pré-amplificador e pequeno falante.

Uma 4x12 empurrada por um Marshall valvulado é outra história.

Mas o objetivo aqui não era transformar magicamente um MG15 num half-stack valvulado. Era descobrir qual seria a configuração mais coerente possível dentro do equipamento que eu realmente tenho.

E gostei bastante do resultado.

Aliás, essa experiência também mostra uma coisa interessante sobre a PODxt Live. É uma pedaleira lançada há mais de 20 anos e obviamente as modelagens atuais evoluíram absurdamente desde então. Mesmo assim, quando se começa a entender direito o que cada parâmetro está fazendo — principalmente ganho, caixa, posição dos efeitos e Output Mode — ainda dá para tirar sons muito bons desse dinossauro.

E, para quem também tiver uma PODxt Live esquecida em algum armário, ficam aí as configurações para experimentar.

Depois é só colocar Nightrain, Welcome to the Jungle ou Sweet Child O' Mine num backing track, aumentar o volume e fingir por alguns minutos que aquele MG15 é um Marshall de 100 watts ligado numa parede de 4x12. 


Observação técnica importante: as configurações acima foram desenvolvidas especificamente para a minha cadeia de equipamento. Quem usar a PODxt Live diretamente em fones, interface, PA, monitores ou FRFR provavelmente deverá utilizar Studio/Direct e poderá configurar também gabinete/microfone virtual de maneira diferente. Da mesma forma, quem entrar no return/power amp de um amplificador deverá escolher o Output Mode correspondente. Portanto, não tratem principalmente as configurações de Output/A.I.R. como universais.

Para quem quiser conhecer o blog e os posts antigos que deram origem a essa saga, o Ultimate Guitar Player continua no ar. O curioso é que você já apresentava a PODxt Live no blog em 2011, publicou um teste dela tocando Nightrain em 2012 e, naquele mesmo ano, instalou os Alnico II Pro Slash Signature na Epiphone. Então essa postagem funciona muito bem quase como um “13 anos depois...” daqueles textos antigos. 

QUAL A ALTURA IDEAL DAS CORDAS DA GUITARRA?

Uma das coisas que mais fazem diferença na tocabilidade de uma guitarra — e que eu durante muito tempo simplesmente não levava tão a sério — é a altura das cordas, ou action.

Em resumo, é a distância entre as cordas e os trastes.

Parece um detalhe pequeno, mas não é. Uma guitarra com as cordas muito altas pode ficar extremamente desconfortável para tocar, principalmente em bends, solos e acordes que exigem mais força. Se baixar demais, por outro lado, começam a aparecer os famosos trastejamentos, notas que morrem e outros problemas.

Então surge a pergunta: qual é a altura ideal das cordas de uma guitarra?

A resposta mais correta é: depende.

COMO SE MEDE A ALTURA DAS CORDAS?

Normalmente a altura é medida entre o topo do traste e a parte de baixo da corda, geralmente na região do 12º traste, e não é a distância até a madeira da escala. Essa diferença é importante.

O ideal é usar uma régua própria para regulagem de guitarra, daquelas marcadas em milímetros, ou algum medidor de ação das cordas.

Como referência, algo em torno de:

  • 1,5 mm na primeira corda (mizinha)
  • 2,0 mm na sexta corda (mizão)

medidos no 12º traste, é um ponto de partida bastante razoável para muitas guitarras elétricas.

Mas não existe uma medida mágica.

A Fender, por exemplo, usa medidas de fábrica diferentes conforme o raio da escala e mede seus instrumentos em outro ponto do braço; em modelos com raio entre 9,5" e 12", a referência de fábrica é de aproximadamente 4/64" — cerca de 1,6 mm — no 17º traste.

Ou seja, esses números servem como referência, e não como uma lei.

QUANTO MAIS BAIXA, MELHOR?

Não necessariamente. Eu mesmo sempre gostei da sensação de uma guitarra com cordas baixas. Fica mais fácil tocar rápido, fazer ligados, bends etc. Só que existe um limite.

Quando as cordas ficam muito próximas dos trastes, elas podem encostar neles durante a vibração. É daí que vem boa parte do chamado fret buzz, ou trastejamento. A própria Fender chama atenção para essa relação: ação excessivamente baixa aumenta a possibilidade de a corda vibrar contra os trastes.

Tenho uma outra guitarra, uma Jackson Dinky Japonesa, que está com um encordamento muito baixo, e está horrível de tocar, inclusive preciso levar num luthier em breve para corrigir.

Além disso, cada guitarrista toca de uma maneira. Quem toca muito leve talvez consiga usar uma ação extremamente baixa sem problema. Quem toca com mais força pode precisar deixar as cordas um pouco mais altas. Por isso acho meio perigoso simplesmente copiar a regulagem de outra guitarra.

E COMO SE MUDA A ALTURA DAS CORDAS?

Aqui depende bastante do tipo de ponte. Na minha Epiphone Les Paul, por exemplo, temos uma ponte do tipo Tune-o-Matic. 

Nesse sistema, a altura geral das cordas é alterada basicamente subindo ou descendo a ponte por meio dos dois ajustes laterais.

Regulagem da altura das cordas em ponte Tune-o-Matic de Epiphone Les Paul
A ponte Tune-o-Matic de uma Epiphone Les Paul.

Ao baixar a ponte, aproximamos as cordas dos trastes. Ao levantar a ponte, afastamos as cordas.

Parece simples — e em princípio é —, mas uma coisa precisa ficar bem clara: regular a altura das cordas não é simplesmente girar a ponte até ficar confortável. A altura está relacionada a várias outras coisas na guitarra.

ALTURA DAS CORDAS X TENSOR DO BRAÇO

Essa é provavelmente uma das maiores confusões. O tensor — o famoso truss rod — não existe propriamente para regular a altura das cordas. Ele serve para controlar a curvatura do braço, o chamado neck relief.

E a curvatura do braço, obviamente, influencia a altura e a forma como as cordas passam sobre os trastes.

Inclusive já escrevi há muitos anos aqui no blog sobre uma experiência mexendo justamente no tensor desta minha Les Paul: TRUSS ROD ADJUSTMENT

Então, antes de começar a baixar desesperadamente a ponte porque as cordas estão altas, é preciso saber se o braço está corretamente regulado.

O processo correto de regulagem normalmente envolve analisar primeiro o braço e seu relief, depois a altura das cordas e, por fim, conferir outras coisas como oitavas e entonação. A Fender também trata o neck relief como uma medida própria da regulagem do instrumento.

A PESTANA TAMBÉM FAZ DIFERENÇA

Outro ponto importante é a pestana. Se os sulcos da pestana estiverem altos demais, a guitarra pode ficar desconfortável principalmente nas primeiras casas. Nesse caso você pode baixar a ponte o quanto quiser e ainda ter uma sensação ruim perto do começo do braço.

E mexer na pestana já é uma daquelas coisas que, particularmente, eu prefiro deixar para quem sabe o que está fazendo. Porque tirar material é fácil, mas colocar de volta não é. :)

O CALIBRE DAS CORDAS TAMBÉM MUDA A REGULAGEM

Outro detalhe que aprendi com o tempo é que trocar o calibre do encordoamento pode mudar a sensação e até exigir uma nova regulagem. Durante praticamente a vida inteira usei cordas 0.09. Agora, depois de "velho", passei para 0.10 — e, para minha surpresa, estou muito bem com elas.

Na minha Epiphone Les Paul estou usando atualmente o jogo D'Addario XL Nickel EXL110BT, calibre 0.10–0.46, que comprei no mercado livre, neste link.

Encordoamento D'Addario EXL110BT 0.10–0.46 usado na Epiphone Les Paul
Encordoamento que estou usando atualmente na minha Epiphone Les Paul.

Esse jogo é da linha Balanced Tension da D'Addario. A ideia é justamente deixar a tensão percebida mais uniforme entre as seis cordas. A própria D'Addario descreve o EXL110BT como um conjunto 10–46 Regular Light Balanced Tension.

Eu achava que sair de 0.09 para 0.10 tornaria a guitarra muito mais pesada de tocar, mas não aconteceu. É um pouco diferente, obviamente, mas me adaptei muito rápido e hoje estou gostando bastante. Depois vou fazer um post especificamente sobre 0.09 x 0.10 x 0.11, porque esse assunto merece ser tratado separado.

O QUE EU CONSIDERARIA UMA BOA ALTURA?

Hoje eu penso assim: a altura ideal é a menor altura que deixe a guitarra confortável para você sem produzir trastejamento indesejado, notas morrendo ou problemas nos bends. Se conseguir isso com 1,2 mm, ótimo. Se sua guitarra fica melhor com 1,8 ou 2 mm, ótimo também.

O importante é não transformar a medida em uma competição para ver quem consegue deixar as cordas mais coladas na escala. Uma guitarra bem regulada é aquela que funciona bem para quem toca nela.

E depois da regulagem recente que fiz na minha Epiphone, fiquei ainda mais convencido disso.

Às vezes a gente passa anos mexendo em pedal, amplificador, captador, corda e equalização e esquece que uma boa regulagem do próprio instrumento pode fazer uma diferença enorme.

INDICAÇÃO DE LUTHIER EM SÃO PAULO - PLG LUTHIERIA

Há muitos anos fiz aqui no blog um post indicando um luthier no Rio de Janeiro. Pois bem, depois de mais de uma década praticamente sem atualizar o Ultimate Guitar Player, resolvi voltar justamente com uma nova indicação de luthier — dessa vez em São Paulo.

Recentemente levei dois instrumentos meus para fazer alguns ajustes na PLG Luthieria e gostei bastante do resultado.

O primeiro foi meu violão Takamine, que, por sinal, já apareceu aqui no blog quando eu o comprei, lá em 2012. Para quem quiser ver, o post da época ainda está aqui: VIOLÃO NOVO     - TAKAMINE FOLK SÉRIE G.

Desde aquela época esse violão nunca pegou afinação direito. Eu afinava, começava a tocar, e alguma coisa parecia sempre estar errada. Durante todos esses anos simplesmente aceitei que o instrumento era assim e cheguei até a imaginar que pudesse existir algum defeito de fabricação.

O curioso é que eu nunca tinha me preocupado de verdade em levar o violão para uma luthieria para investigar o problema. Ele foi ficando por aí, sendo usado de vez em quando, sempre com aquela característica meio irritante de não ficar perfeitamente afinado.

Pois bem, deixei o Takamine na PLG Luthieria para fazer uma revisão e alguns ajustes e o resultado foi MUITO melhor do que eu esperava.

O violão voltou excelente e, finalmente, afinando corretamente.

Ou seja: aparentemente passei mais de dez anos achando que meu violão tinha algum problema quando, na realidade, precisava simplesmente de uma boa regulagem. :)

Isso inclusive reforçou uma coisa bastante óbvia, mas que às vezes a gente esquece: não adianta avaliar um instrumento apenas pela marca, madeira, captadores, cordas, preço, etc. Uma boa regulagem pode fazer uma diferença absurda no resultado final.

Aproveitei e levei também minha velha Epiphone Les Paul, comprada nos Estados Unidos. Que quem acompanha os posts antigos deste blog provavelmente já conhece.


Essa guitarra também recebeu um ajuste fino e ficou muito boa.

Aliás, ela já apareceu algumas vezes aqui. Em 2011, por exemplo, escrevi sobre uma experiência que tive mexendo eu mesmo na regulagem do braço: TRUSS ROD ADJUSTMENT.

Minha Les Paul tem também uma modificação importante em relação à configuração original: há muitos anos troquei os captadores originais pelos Seymour Duncan Slash Alnico II Pro, justamente o modelo desenvolvido para reproduzir as características dos captadores utilizados pelo Slash.

Curiosamente, quando fiz essa troca, logo depois de comprar a guitarra, minha primeira impressão foi de que o som tinha até "piorado" um pouco.

Pode parecer estranho trocar os captadores originais de uma Epiphone por Seymour Duncan e achar o resultado pior, mas foi exatamente a impressão que tive na época.

Os captadores originais da Epiphone me pareciam mais presentes e brilhantes. Quando coloquei os Seymour Duncan, o som ficou menos estridente, mais médio, mais encorpado e, de certa forma, até mais "fechado".

Eu estava esperando instalar os captadores do Slash e imediatamente ouvir aquele som gigantesco de Les Paul dos discos do Guns N' Roses.

Obviamente não funciona assim. :)

Com o tempo fui entendendo melhor a característica desses captadores e percebendo que o problema não era a qualidade deles. Muito pelo contrário. Eu é que precisava trabalhar de outra forma a equalização, o ganho e todo o restante da cadeia do som para explorar melhor o tipo de timbre que eles entregam.

E depois dessa regulagem feita agora na guitarra fiquei ainda mais satisfeito com o instrumento.

Aliás, esse assunto vai render outro post, porque minha configuração atual mudou bastante em relação à época em que eu escrevia aqui no blog. Depois pretendo mostrar a pedaleira que estou usando atualmente, como estou configurando os efeitos e amplificadores e o que estou achando do resultado — principalmente na eterna tentativa de chegar naquele timbre de Les Paul + Marshall do Slash que provavelmente ocupa a cabeça de metade dos guitarristas que começaram a tocar ouvindo Guns N' Roses.

Enfim, fica aqui registrada a indicação da PLG Luthieria, em São Paulo.

No meu caso, tanto o Takamine quanto a Epiphone Les Paul voltaram muito melhores do que entraram, principalmente o violão, porque acabou sendo resolvido um problema de afinação que eu simplesmente aceitei durante mais de uma década como se fosse uma característica do instrumento.

Para quem quiser conhecer o trabalho deles, o Instagram é @plgluthieria.

Recomendo!


sábado, 9 de novembro de 2013

MINHA AMADORA GRAVAÇÃO DE SWEET CHILD O' MINE, DO GUNS

Recentemente fiz a mixagem (da guitarra com o backing track) da música "Sweet Child o' Mine", do Guns. Ok, não ficou uma maravilha, tem vários erros, mas estava apenas ensaiando/tocando e resolvi gravar. Não fiz uma gravação metódica, não toquei VÁRIAS VEZES até ficar bom. Simplesmente toquei e gravei, com os erros normais que temos quando estamos normalmente ensaiando. Se alguém quiser a tablatura dela completa, deixe seu email nos comentários. Segue abaixo o link do Soundcloud.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

RÉPLICAS CHINESAS SÃO CONTRABANDO

Teve uma vez que escrevi aqui um post sobre aquelas réplicas chinesas de Gibsons Les Paul, se valeria a pena comprar ou não. Pois é, parece que a Receita Federal está apertando o cerco contra esse tipo de produto, afinal, é uma falsificação né? Duvido que a Gibson autorize a fabricação de uma réplica de sua guitarra por 1/5 do preço... Fica a dica aí, cuidado pra quem for importar este tipo de produto. Eu não sabia, mas parece que NÃO PODE! 

Fonte: http://www.guitarload.com.br/noticia/receita-apreende-guitarras-falsificadas.html

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Cortador de Palheta (Pick Punch)

Ganhei de presente um cortador de palheta (Pick Punch), que era um souvenir que eu estava querendo há um bom tempo. Obviamente que o preço do produto (U$ 25 nos EUA) não compensa financeiramente, mas é um brinquedinho curioso. :)


terça-feira, 23 de abril de 2013

VIOLÃO NOVO - TAKAMINE FOLK SÉRIE G

Comprei um violão essa semana. Já tinha uns 15 anos que eu não tinha um. Meu último foi um Giannini velho pra caceta, que era da minha mãe. Tava com saudade de ter uma viola pra poder tocar um pouquinho, nos intervalos dos estudos e trabalho, pra poder aliviar a mente. Ligar uma guitarra num amplificador dá muito trabalho. O violão está sempre ali, à mão, não há nenhum trabalho pra ligar, é só pegar e começar a tocar. Sem falar que o som dele é bem legal, muito presente, vivo. Gostei muito da compra. Foi comprado na loja Made in Brazil do Barrashopping, e é um Takamine Série G Folk.